Nem tudo são rosas… Por vezes é madeira.

Caríssimos,

Será que existe por essa internet fora alguma nota sobre um vinho que tenha desapontado?

Todos os dias os vinhos portugueses se superam, ou pelo menos é o que parece. Não deverá faltar muito para que rebentem com a escala nacional de 20 valores, ou com a escala Parker de 100 valores. Afinal de contas, ultimamente têm saído algumas criticas com vinhos a atingirem 19 e 19,5 valores, ainda com grande potencial de evolução, ainda com grande potencial de envelhecimento. Onde irão parar estes vinhos?

Será que, como em qualquer outra área de trabalho não haverá também no mundo dos vinhos exemplos de resultados menos felizes? Claro que há. E porque raio não se pode reconhecer que em determinado ano a coisa não saiu como se esperava? Se a falha não foi intencional, acho que este tipo de conversa nunca se tornará uma discussão maliciosa.

A internet e a crítica nacional, neste momento, são completamente cor-de-rosa para com os vinhos portugueses. Parece que tudo é melhor a cada dia que passa… Parece.

O Marquês de Marialva Grande Reserva Arinto 2012 foi um virar de página para a Bairrada, o 2013 falhou.

A Bairrada, em certos anos e em certos brancos, é inigualável, lança vinhos com uma incrível capacidade de nos arrebatarem por completo. Mas, é preciso que o vinho seja só o vinho, é preciso que a região fale com base naquilo que é, sem extras, sem aditivos, sem exageros.

Marquês de Marialva Grande Reserva Arinto 2012 foi a meu ver um branco único em Portugal, por tudo. Apareceu com um preço imbatível, um preço único para tanto que aquele branco era capaz de mostrar. Vi a colheita de 2013 deste vinho, há pouco tempo, numa mesa de 6 pessoas, dois profissionais da área dos vinhos e 4 conhecedores acima da média. O vinho não seduziu ninguém e uma significativa parte da mesa não suportou sequer o excesso de madeira que este branco apresentou.

Espumante Cuvée 2012, noutro nível, fez o mesmo percurso do Grande Reserva Arinto 2013. O Cuvée 2011 foi um vinho que honrou tudo aquilo que a Bairrada pode ser nos espumantes. O agora lançado 2012, embora consiga cativar bastante no nariz, não tem a tão anunciada performance de corpo extraordinária.

O consumidor não é ignorante, acho até que a influência invisível é cada vez menos influente.

Como sempre, estes dois vinhos tiveram o seus canais de distribuição de crítica e claro que isso não tem mal nenhum. O problema é que essa crítica não casa depois com as experiências que se têm a beber estes vinhos, é uma crítica com adornos e decorações.

Ainda assim, a Adega Cooperativa de Cantanhede merece claramente que se dê o “desconto” a estes dois vinhos, merece que continuemos a aguardar com grande expectativa por alguns dos vinhos que dali vão saindo.


Saúde,
Dr. Ribeiro

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Prova

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