O Enóphilo, o Mercado e o Simplesmente, o fascínio pelos “pequenos”

Ilustres,

Estão já no horizonte dois eventos imperdíveis, o Simplesmente Vinho no Porto e o Enóphilo Wine Fest em Lisboa. São dois encontros com os produtores e com os seus vinhos e, ambos os casos, mais do que encontros com os vinhos, são efectivamente encontros com os produtores. São dois “pequenos eventos” que se assumem cada vez mais como a melhor forma de nós, consumidores, termos alguma reciprocidade de atenção, por contraste com o que acontece nas grandes feiras.

É fácil perceber que as feiras deste sector que são dedicadas ao consumidor são uma oportunidade única de procurar referências que, de outra forma, durante o ano, seriam provavelmente inacessíveis. Essa inacessibilidade não é totalmente imputada ao preço de certos vinhos, mesmo assumindo que o preço pode tornar alguns vinhos inacessíveis, muitas vezes essa impossibilidade de testar todos os vinhos que queríamos tem mais que ver com o factor quantidade. Toda a gente tem “aquela lista” de vinhos em buffer, que vão permanecendo em buffer porque são muitos e, infelizmente, é preciso dar prioridades.

As feiras ajudam a mitigar a consequência negativa que estabelecer prioridades acarreta. Muitas vezes os vinhos que mais ansiamos conhecer desapontam, outras vezes, o expositor com menor afluência tem os vinhos que nos deixam positivamente convencidos. E é no meio da actual dinâmica das feiras que vão acontecendo coisas que cada vez mais me afastam das maiores e me fazem optar pelas mais pequenas.

Os três ou quatro dias que se passam atrás de um expositor nas maiores feiras de vinhos são uma autêntica tortura para os representantes das marcas que lá estão. A pouca paciência com que estes chegam ao final dos dias é perfeitamente compreensível, a mistura que se faz entre quem quer beber os vinhos mais caros e quem quer “apenas” conhecer o portefólio de alguns produtores é perfeitamente visível, a quantidade de público que ali aparece sem a abordagem correcta abafa aquilo que alguns consumidores interessados querem dali retirar.

As grandes feiras têm uma mistura desconcertante entre uma multidão ansiosa por provar os vinhos mais caros e uma cada vez mais significativa quantidade de produtores que se fazem representar por terceiros, não conseguindo assim responder ao que consumidores como eu, por exemplo, dali gostariam de retirar.

Sinto-me muito bem no Mercado de Vinhos, adoro ir ao Enóphilo Wine Fest e o Simplesmente Vinho é viciante. É do meio dos “pequenos” que trago quase sempre o ponto alto do meu ano de provas. É nas pequenas feiras que estão os produtores que dominam o detalhe do produto. Nas grandes, estão já muitas agências de comunicação que vão servindo copos sem saber muito bem como foi feito aquilo que está dentro da garrafa, mas como alguns querem copos, também não deve existir grande problema.


Saúde,
Dr. Ribeiro

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