Que mão me entrega o prémio?

Aconselho a todos a leitura de um texto partilhado pela página Vale da Capucha, Adega e Enoturismo: https://www.facebook.com/valedacapucha/posts/2399593383617256?__tn__=K-R

“Para se pertencer a uma Câmara de Provadores numa região vitivinícola qualquer, é necessário ser-se convidado para o efeito pela Comissão Vitivinícola regional em causa. Não se exibe, portanto, certificado ou diploma que municie o convidado com a autoridade profissional que hoje o sector, as empresas e a economia exige. Todavia no mundo do vinho e para o efeito duma certificação até parece nem fazer falta. Erro crasso.”

“É pacífico de que um organismo como este, mesmo sendo não remunerado, deveria contar nos seus quadros com provadores certificados. Não é o caso.”

“Relembro que as decisões destas Câmaras de Provadores têm efeito vinculativo e inapelável após recurso interposto pelo produtor aquando do chumbo de um qualquer vinho seu, por p.ex., não se enquadrar no dito “perfil da Região”. Em jeito de aparte, direi que este “perfil da Região” é, bastas vezes, a razão primeira desse vinho não se vender em alguns mercados internacionais.”

Fonte: Jornal “O Badaladas” em 11 Julho 2019.

Não é a primeira vez que este tema é assumido por um ou outro destemido. Há quem comece a ousar falar, há quem conte histórias curiosas e facto é que todas essas histórias mostram ter traços comuns. Se alguns honestos pensam desta forma perante factos tão evidentes, creio que existirão muitos mais a pensar igual, mas apenas alguns exteriorizam.

Começa a ser cada vez mais normal, numa geração mais recente de enólogos e produtores, ver alguns corajosos que fazem notar o desagrado para com a dinâmica de diversas entidades que certificam e avaliam os seus vinhos. Não confundam desagrado com “ressabianço”, porque quem conta o que tenho ouvido apenas se insurge contra a forma incorrecta como se avaliam e chumbam vinhos correctos.

Mais do que mostrar desagrado, o que esta geração mais nova está a fazer é possibilitar a quem está de fora, perceber e confirmar que entidades como as CVRs, entre outras, não são ETs com funcionamento diferente daquilo que se passa nos restantes organismos portugueses de utilidade pública.

As CVRs também têm pessoas com sangue latino e como tal, são idênticas na sua essência a tudo aquilo que as gerações mais novas se habituaram a antipatizar nas diversas instituições portuguesas, montras da politiquice enjoativa que os mais velhos se habituaram a aceitar e que muitos dos mais novos, creio eu, não conseguem tolerar.

Eu não as conheço todas, algumas terão boa gente e bom método para com os vinhos que avaliam, noutras vê-se uma agregação de penduras que sujam uma coisa que devia estar limpa.

Em toda esta engrenagem que é o vinho português, que dizem rodar sem avançar, os produtores serão os últimos culpados, sempre. Estes precisam de trabalhar e para trabalhar têm de vender e para vender precisam certificar. Assim como precisam de imprensa, de concursos e de prémios… Quem produz precisa de se ligar à máquina e a culpa da máquina ter peças defeituosas não é dos produtores.

A minha terra de origem, tem neste momento o desabrochar de uma figura que representa tudo aquilo que fere os vinhos. A minha zona é um exemplo que espelha muito do que se passa por esse país fora, onde vemos surgirem “penduras” que se colam a quem está a regular o meio e onde quem regula é incompetente demais para perceber que esse tipo de “penduras” não traz nada de bom. Os mais velhos, bajulam-nos como foram bajulando desde que se lembram, por exemplo, autarcas desonestos e, os mais novos, assistem a isto sem conseguir fazer nada, porque não são assim tantos para conseguir fazer o que quer que seja. Parece que é um círculo vicioso, a incompetência atrai penduras que vão gerar ainda mais incompetência.

Os vinhos não beneficiam nada em serem “pseudo-promovidos” em almoçaradas, em restaurantes da moda, com gente que tem interesses sociais nada condizentes com a promoção dos bons vinhos portugueses. Quem promove o vinho não deveria sequer aparecer, deveria deixar o vinho ir à frente, sempre… E nunca fazer por ir ao lado dos vinhos, com fome e necessidade de mostrar a cara… No limite, deveriam aparecer os representantes das casas que os fazem, porque as estrelas só podem ser mesmo estes, os vinhos.

Do que vejo, posso garantir também que a bajulação destes “penduras” que, por exemplo, se veem na Bairrada, é feita por quem não percebe nada de vinhos e no fim do dia esses que bajulam, bebem algo parecido a vinho, mas que não é vinho. Isto é Portugal, as suas pessoas e os seus vinhos.

Já ouvi de vários produtores histórias e exemplos de mãos incompetentes que detêm o poder de uma avaliação/certificação/regulação, muitas vezes ingrata e até malévola. Essas mãos são conhecidas e ao longo do ano vão sendo tema de muitas conversas sobre episódios insólitos. Mas uma vez por ano, são estas mãos que dão prémios.

Muitas vezes penso, que faria eu se tivesse de receber um prémio de uma mão destas?

Não sei… Mas não trabalhando para o vinho fica mais fácil não a cumprimentar.


Saúde,
Dr. Ribeiro

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Prova

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