Ultimamente, alguns brancos têm feito o país inchar. Onde estaremos daqui a 20 anos?

Caríssimos,

O que fica de uma prova de vinhos Susana Esteban, feita na Garrafeira Imperial, no dia 7 de Fevereiro de 2019? Ficam três apontamentos.

O primeiro, é a repetição de algo que já disse anteriormente: Neste tipo de provas apenas se vê o potencial de um vinho e mais um ou outro detalhe.

Neste tipo de provas não se captam todos os pormenores nem se abrange toda a história que uma garrafa tem para oferecer. Por isso, olhando apenas para o potencial, gostaria de arrancar um texto a partir dos três vinhos que nesse final de tarde mais mexeram comigo: Procura na Ânfora, Branco 2017 | Procura Vinhas Velhas, Branco 2016 | Sidecar 2017 (branco).

O segundo apontamento é: Por causa destes três brancos, este texto será curto.

O que houver para dizer será dito quando estes vinhos forem provados a fundo… O que não pode ser feito agora. Se há vinhos que exigem ser carinhosamente esquecidos, se há vinhos que exigem de nós a mais cuidada guarda, são estes três brancos da Susana Esteban.

Ou seja, apenas daqui a alguns anos eles merecem sair do escuro e do fresco para dizerem o que são e, apenas nessa altura, quero falar deles. Por muito que eles já sejam, tudo o que me disserem agora será menos do que aquilo que eles podem vir a ser. Se há vinhos em que o potencial se sobrepõe à sua forma actual, estes três são disso exemplo… Sobretudo um deles. Aquele do qual até agora, potencial parecido, não me recordo de ver.

O terceiro apontamento que retive, tem que ver com este último branco que referi, este do potencial sem igual, o Sidecar 2017. Quero falar sobre o que pode este vinho fazer pelos brancos portugueses. Há duas formas de perceber a saúde da imagem dos bons vinhos, por um lado, podemos medir a amplitude do entendimento que vinhos como este merecem dentro de portas, sendo certo que a crítica interna já o colocou num patamar até agora único para um branco. Mas, por outro lado, fora de portas, onde chegará o entendimento do qual este vinho é digno?

Provavelmente, pela quantidade de garrafas Sidecar 2017 existenteso indicador externo ideal para este vinho não será perceber até onde ele pode chegar, o quanto se vai estender e quão abrangente será ele “lá por fora”. A meu ver, o indicador a analisar deve sair de um outro tipo de medição. E que tal pensar naquilo que este branco pode representar?

Acho que ele merece que se olhe para um domínio mais qualitativo, devemos pensar em como este vinho poderá trabalhar para a imagem dos brancos portugueses lá fora, pensar em como ele agora nos diz o que deveríamos ter começado a fazer com brancos há 20 anos atrás, pensar no que pode significar, sair daqui de Portugal, um branco com esta expressividade?

Este vinho mostra onde os brancos portugueses chegaram, dificilmente havia algo acima deste Sidecar 2017, parece que ele marcou um novo patamar de competência, fez com que o país inchasse e a fronteira qualitativa dos brancos portugueses fosse colocada um pouco mais à frente.

Há 20 anos atrás não pensávamos como agora pensamos, não fizemos vinhos como este e por isso quando surge um Sidecar 2017 a pergunta que fica é: Onde estaremos daqui a 20 anos?


Saúde,
Dr. Ribeiro

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