Um novo Pegos Claros feito para lutar no campeonato da excelência

Meus caros,

Quem foi à prova de Pegos Claros ontem na Garrafeira Imperial, mais do que ter passado um final de tarde bem agradável, provavelmente não estaria preparado para a parte final.

Mas vamos por partes.

Os vinhos Herdade de Pegos Claros ontem em prova confirmaram a imagem que fomos associando a esta marca, há nela uma claríssima antítese da produção massiva, continuada, constante, comum e maçuda da Península de Setúbal. Aos vinhos Pegos Claros vemos claramente associados dois méritos, vinhos diferenciadores que sobressaem dos demais da região, e uma tremenda relação qualidade/preço que nos mostra um hiato significativo entre o que os vinhos nos dizem e aquilo que no final nos custam.

Resumidamente, o Blanc de Noirs Castelão 2017 foi uma surpresa bem agradável, é um branco que consegue casar polimento e elegância com firmeza de corpo. O Colheita Tinto 2012, e o Reserva Tinto 2014, mostraram que há muito mais vida nestes vinhos depois dos primeiros 5 anos após a sua vindima. O Grande Escolha Castelão 2013 mostrou que talvez ande a ser aberto cedo demais. Nada como guardar um par de garrafas para mais tarde tirar a dúvida.

No final foi-nos apresentado um novo projecto que a meu ver tem o que faltava nos tintos da Península de Setúbal. Um novo tinto preparadíssimo para a luta no campeonato dos maiores entre os maiores, a luta no campeonato da excelência.

Nós sentíamos, e por várias vezes o dissemos, que nesta região era preciso agitar as águas… Ontem fiquei extremamente feliz porque um tinto confirmou esta nossa opinião. Havia uma barreira nos grandes tintos de Setúbal que ainda não tinha sido transposta. Este novo vinho Herdade de Pegos Claros passa manifestamente essa barreira.

Quem ontem lá esteve conheceu um vinho que faz subir o nível daquilo que agora existe na Península de Setúbal. Admito que me revejo no perfil daquele tinto, mas ainda assim continuo a achar que se trata de um perfil incomum naquela zona com um resultado final extraordinariamente feliz. Creio que se irá chamar Primo, é de 2015, tem claramente o factor X, e está com uma atitude extraordinária.


Saúde,
Dr. Ribeiro

Categorias: Artigos de Opinião

Prova

Posts Relacionados