Vinalda Wine Experience 2019, alguns apontamentos

Ilustres,

Hoje, vi no Vinalda Wine Experience 2019 um conceito bem interessante. Uma distribuidora que fez juntar em volta de vinhos referência de cada casa constituinte do portefólio Vinalda, cerca de 160 pessoas de várias áreas dedicadas ao vinho.

Foram 40 vinhos dados à prova, cada um deles ali apresentado de uma forma que me pareceu ter promovido uma “comparação” saudável. E só se for saudável, este tipo de comparações pode fazer sentido. Todos aqueles vinhos vêm de diferentes zonas e cada um deles fala de uma forma muito própria. É preciso cuidado com confrontações que podem dar a ideia de estarmos num campeonato de pontos.

Um vinho não é pontos, nem sequer é preço. Um vinho é uma história que pode ser mais ou menos completa, deve caracterizar um terroir e uma intenção que tenha por base muita coragem em afirmar personalidade e identidade. A meu ver, elegância não existe naquilo que é consensual. A elegância existe naquilo que sobressai, naquilo que é único.

Também, não vejo mais-valia em estar aqui a fazer aquela lista dos melhores vinhos provados. Atendendo à forma como a prova se desenrolou, não há o mínimo de conforto em afirmar que fixei toda a história possível de retirar daqueles vinhos.

De uma prova de 40 vinhos, feita em passo “acelerado”, não vos vou dizer que determinado branco tem uma acidez tão crocante que se aproxima da sensação de trincar nozes da macadâmia caramelizadas. Ou que, houve um tinto com um corpo tão untuoso que era como se estivessemos a comer sashimi de peixe manteiga.

De uma prova destas, usualmente vejo apenas o potencial de um vinho e mais um ou outro detalhe. De uma prova destas, não vejo todos os pormenores, não vejo toda a história. Por isso, gostaria de vos falar de potencial, gostaria de vos falar dos vinhos que mais mexeram comigo.


Vinha do Contador, Branco 2014

Tem tudo aquilo que quero ver num vinho, tem o factor diferenciador, tem detalhes únicos, sobressai, tem personalidade, oferece apontamentos que outros não conseguem dar.

Impressionou no aroma e no corpo. É um branco espectacular.


Quinta de Pancas, Cabernet Sauvignon Special Selection 2015

Falo neste vinho porque ele representa muito daquilo que eu considero importante quando se inicia um projecto. Pensar em fazer algo, afinal, só tem valor se o resultado for um produto diferente e se essa diferença for utilizada para se sobressair com qualidade. Os projectos e as ideias, quando bem pensados, usam o passado para criar algo que no futuro seja mais do que apenas novo, reafirmando uma novidade com história, superior e única. Este Cabernet Sauvignon da Quinta de Pancas consegue isso.


Quinta do Cardo, Grande Reserva Tinto 2014

Guardei este vinho para o fim porque o associo a uma forma muito própria de ver futebol.

A meu ver, um avançado tem de ter uma de três características fundamentais. Ou é um finalizador nato, um “mágico”, um virtuoso. Ou é um velocista que sozinho estica o jogo e faz recuar a defesa contrária. Ou é um portento físico capaz de ir à luta e desfazer a defesa adversária. Um avançado para ser relativamente bom tem de ter uma destas três características. Os grandes avançados, os maiores, os únicos, agregam no máximo duas.

Até hoje, nunca vi nenhum avançado exibir estas três características. O Quinta do Cardo Grande Reserva 2014, se fosse avançado, teria as três.

Parabéns a quem idealizou este vinho.


Saúde,
Dr. Ribeiro

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Prova

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