Monte da Capela, Reserva Branco 2018

Uma das melhores sensações quando provamos um vinho desconhecido, de uma casa também ela para nós desconhecida, é quando esse vinho nos deixa com um sorriso indisfarçável, um sorriso puxado pela agradável surpresa do momento.

Mas a melhor sensação de todas, é quando nos apercebemos que vamos poder dizer a alguém que não conhecemos, que fez um vinho bem acima da média, competente, cativante, com detalhes que outros não têm.

Este branco fez a noite de ontem e depois de algumas difíceis provas de brancos alentejanos, com 14% e 14.5% de álcool, sabe bem quando um vinho nos confirma que certas coisas que vimos no passado, fazem todo o sentido.

Este foi um dos últimos brancos alentejanos que falou bem alto comigo, está muito bem feito e da pouca informação existente sobre ele, a que eu encontrei, coloca-o com um PVP a rondar os 7,5€. Em certos dias como o de ontem, fico a pensar em certas invenções e loucuras que se andam por aí a fazer, fico a pensar se não será mais prático fazer apenas vinho… Vinho como este.

Fica como uma das minhas 10 melhores escolhas em brancos portugueses até 10€.

Este vinho é “só” mais um que me mostra que as generalizações por regiões, por vezes, podem ser bem perigosas. Saio convencido de que o quente Alentejo também é capaz de fazer brancos assim.

Aroma limpo, intenso e com alguma complexidade. O corpo confirma a competência da performance aromática, é um vinho muito honesto, com boa estrutura em boca, bastante assertivo e com algum detalhe.

Aroma intenso e complexo q.b., flor de laranjeira a par de tons cítricos, alguma ameixa amarela, fundo com toques de erva doce, fósforo e nuances minerais que eu bem gostava de saber onde ele as foi buscar, cheira ao rio para onde íamos em miúdos, isto está lá, não fui o único a sentir. Corpo muito polido e de textura cremosa, a temperatura obviamente ajuda-o a amaciar ainda mais e este vinho acompanha a temperatura sem prejuízo algum, isto em brancos, é sinal de vinho acima da média, estrutura bem ampla, centro de boca médio, ligeiro toque de açúcar residual na ponta da língua, mas muito ligeiro mesmo, sem causar dano ao conjunto, corpo com tensão de fundo suficiente para aguentar a prova e a comida, não cede. Acidez em bom nível, a suster o conjunto e a ajudar a prolongar o vinho em boca, persistência final média/longa.


Castas: 50% Arinto e 50% Antão Vaz

Vinhos Casa Clara: http://casaclara.pt/ 


Saúde,
Dr. Ribeiro

Prova

  • 8/10
    Aroma - 8/10
  • 7.8/10
    Corpo - 7.75/10
  • 8/10
    Acidez, Taninos, Final - 8/10
  • 7.8/10
    Análise Geral - 7.75/10
7.9/10

Suporte para avaliação

10 – Magnífico
9 – Excelente
8 – Muito Bom
7 – Bom
6 – Acima da Média
5 – Razoável
4 – Aceitável
3 – Básico

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