Quinta do Crasto, Vinhas Velhas, Reserva Tinto 2013

Este Vinhas Velhas Reserva 2013 confirma aquilo que eu senti com os monovarietais Tinta Roriz 2011 e Touriga Nacional 2012. É mais barato e é mais competente.

Curioso que há muito tempo e em privado, eu tenho discutido e defendido esta ideia com alguns enochatos amigos. Curioso que há um par de semanas, a senhora Jancis Robinson (provadora profissional) veio confirmar esta mesma ideia que eu tenho defendido. Curioso também que esta senhora, que instiga jovens a apontarem as suas escolhas e o seu dinheiro a vinhos “de topo”, que afirma que mais vale um vinho de topo do que dez vinhos mais acessíveis à carteira, venha agora colocar um vinho mais barato acima de outros mais caros e quase ao lado de um vinho muito, mas muito mais caro.

Esta página começou exactamente por isto, por situações deste tipo, por casos e notícias que me começaram a criar cada vez mais resistência para com aquilo que ia lendo, para com notas, valores e palavras que pouco ligavam com aquilo que ia provando. Tudo nos vinhos é falado e disseminado à base de generalizações e fichas técnicas, há mecanismos para não obrigar as pessoas a pensar muito… Uma nota de prova lida de uma ficha técnica dá origem a um vídeo sem valor acrescentado, uma pontuação Robert Parker, um chavão tipo vinho feito com intervenção minimalista, fresco, elegante e sem madeira, etc… Tudo isto são mecanismos que não obrigam as pessoas a pensar muito e pior ainda, são mensagens que as próprias pessoas precisam ouvir, querem ouvir. O mercado só lhe faz a vontade. Tivesse eu seguido à risca estas generalizações e garantidamente tinha passado ao lado das maiores experiências que já tive com vinhos, alguns até nem muito caros, para infelicidade da senhora Robinson.

Bem, voltando ao tema Quinta do Crasto Vinhas Velhas Reserva, este vinho é uma aposta segura do portefólio Quinta do Crasto, aliás, atendendo a tudo o que ele é e o que ele custa, tenho-o como a aposta mais segura. O maior problema dele, é que ainda está novo, a prova assentou em competência e em promessa. Este tinto ainda pode ir para sítios que os outros que mencionei já não conseguem ir.

Apesar de tudo, tem uma aura alcoólica que se coloca acima do conjunto, seja ao nariz, seja à boca. Tirando isso, é um tinto que consegue ser mais e prometer mais que os outros. Enquanto este ainda está a crescer, os outros já estão a cair.

Aroma com álcool ligeiramente acima do conjunto e esse é o único problema da apresentação aromática, tons florais mais vincados, flores silvestres, tons herbáceos suaves, cereja suave, fundo com tons de erva seca, tons terrosos e madeira molhada. Conjunto razoavelmente intenso, profundo e rico, desafiante. Corpo com muito mais acerto e harmonia que os monocastas desta casa, é inegável, é evidente, ainda está jovem, tem nervo, tem atitude e tem acerto, mostra também à boca uma aura alcoólica algo acima do conjunto, periferia rugosa a acompanhar o tipo de taninos, amplo, centro de boca médio, precisa ainda de mais garrafa, tem de acalmar, denso q.b., acidez boa, taninos melhores, um pouco acima do conjunto, mas acompanham todo este ímpeto que estica este vinho e ajudam a alongar o final da prova.


Castas: Vinhas Velhas (25 a 30 castas diferentes)

Ficha Técnica 2013: https://quintadocrasto.pt/wp-content/uploads/2016/02/PT_Quinta_do_Crasto_Reserva_Vinhas_Velhas_2013.pdf

Vinhos Quinta do Crasto: https://www.quintadocrasto.pt/


Saúde,
Dr. Ribeiro

Prova

  • 8.3/10
    Aroma - 8.25/10
  • 8/10
    Corpo - 8/10
  • 8.3/10
    Acidez, Taninos, Final - 8.25/10
  • 8.3/10
    Análise Geral - 8.25/10
8.2/10

Suporte para avaliação

10 – Magnífico
9 – Excelente
8 – Muito Bom
7 – Bom
6 – Acima da Média
5 – Razoável
4 – Aceitável
3 – Básico

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