Terras de Sto. António, Alfrocheiro 2016 

Um Alfrocheiro a solo é uma visão pouco comum, esta casta pode ser ligeiramente traiçoeira, é imprevisível e estas características levam a que a cautela na adega muitas vezes evite a aposta no seu uso como monocasta. Parece que o blend é o seu estado natural, quando em lote, o Alfrocheiro ampara outras castas, completa-as, fornece atributos em que é mais forte e usa as outras para atenuar detalhes que, em muitos anos, no Alfrocheiro, podem ficar ligeiramente fora do sítio.

O sul do país tem puxado esta casta “mais para baixo” e tem retirado dela alguns bons trabalhos. Parece que a consistência desejada para o seu uso em monovarietal é mais facilmente conseguida nas regiões mais sulistas.

Este é um Alfrocheiro de 2016 e vem do Dão, mostra-nos os pontos fortes da casta e mostra-nos um ano em que fez sentido usá-la a solo.

Aromaticamente vemos a natureza do Alfrocheiro, o nível alcoólico neste vinho aparece acima da média e este atributo pede-nos acerto na temperatura, é preciso puxá-la um pouco para baixo e calibrar essa aura alcoólica. Com acerto na temperatura, este tinto torna-se mais convidadivo na leitura aromática.

O corpo mostra-nos um vinho com boa presença em boca, mostra-nos os tais atributos em que o Alfrocheiro é forte. Há algum acerto na ligação álcool, acidez e taninos, três atributos que nos dizem que este tipo de tintos podem ser espectaculares vinhos de guarda. O ímpeto e a presença em boca pedia apenas um pouco menos de aura alcoólica e um pouco mais de intensidade na acidez. Estivesse a acidez em nível superior e o corpo deste vinho iria alargar ainda mais, o conjunto iria ganhar amplitude e equilibrar ainda mais, é só isso que lhe falta.

Apartir daí seria connosco, seria a nossa cave a trabalhá-lo até ao ponto de ele sair de lá e brilhar. Acho mesmo que este vinho é vinho para depois, acho mesmo que depois ele irá ser mais do que aquilo que agora é.

Pelo que senti neste Alfrocheiro e em comparação com outros mais a sul, acho que o Dão pode não nos dar Alfrocheiros com a mesma regularidade do Alentejo, mas os que der, podem ser bons, ou provavelmente, grandes vinhos de cave.

Conjunto intenso, álcool presente e evidenciado nas paredes do copo bem como no nariz, é preciso temperatura para o álcool moderar, tons florais muito ligeiros e maior presença de tons adocicados de fruta preta madura, toques terrosos de fundo a par de notas de café que sugerem estágio em barrica. O corpo sobe o patamar da prova, amplo q.b., centro de boca médio com textura espessa q.b. e macia, a periferia mostra-se depois rugosa suportada pelo excelente comportamento dos taninos, algum acerto de conjunto a mostrar uma ligação de atributos que nem sempre esta casta “deixa fazer”. Acidez boa, taninos melhores, final médio/longo.


Castas: Alfrocheiro

Ficha Técnica: https://vinicom.pt/wp-content/uploads/2020/04/Nova-Ficha-T%C3%A9cnica-Terras-de-Sto-Ant%C3%B3nio-Alfrocheiro-Tinto-0.75-Lt.pdf

Vinhos Terras de Sto. António: http://www.terrasdesantoantonio.pt/vinhos.html


Saúde,
Dr. Ribeiro

Categorias: Pólvoras, Vinho Tinto

Prova

  • 6.5/10
    Aroma - 6.5/10
  • 7/10
    Corpo - 7/10
  • 7.3/10
    Acidez, Taninos, Final - 7.25/10
  • 7/10
    Análise Geral - 7/10
6.9/10

Suporte para avaliação

10 – Magnífico
9 – Excelente
8 – Muito Bom
7 – Acima da Média
6 – Bom
5 – Razoável
4 – Aceitável
3 – Básico

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